APOCALIPSE DOS SONHOS
Eis o
que somos ou o que restou do que um dia fomos, ou ainda do que ao menos
tentamos por mais diversas e conturbadas vezes ser. Não mais o somos, pois não
há o que ser tocado senão as cascas, faíscas e destroços do que o mundo um dia
destruiu. Mas ainda buscamos a beleza imposta nos arredores de tudo o que um
dia tocamos, lembrando-nos da natureza linda que ainda insiste em manifestar-se
nos mais tristes becos e saídas das grandes cidades.
E nessa realidade, talvez pós-apocalíptica,
se considerado tudo o que se perdeu quando nos impuseram um novo mundo, um novo
jeito de encarar e lidar com as coisas das quais acreditamos, queremos ver,
sentir e admirar, é que maravilhamo-nos com as flores que o mundo nos traz, com
a pureza escondida nos mais distintos rostos pelas ruas. Assim como eles,
buscamos nossos próprios ideais em cada singelo gesto de bondade que ainda
acreditamos existir nesse mundo louco que nos cerca.
E a essa globalização das ideias que o mundo
cada vez mais se converte, loucos são os que persistem em seguir a lógica de
suas mentes com seus próprios sonhos e convicções. – E estamos aqui não
para radicalizar esse processo de preservação do que é a nossa cultura, mas
sim, para lembrá-los de que apesar de tudo, ainda acreditamos num mundo melhor,
um mundo mais justo e mais digno, e para dá-los a certeza de que, por fim,
ainda acreditamos nas pessoas.
Nathalia Bueno
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