TRANSFUSÃO
A Poeira do tempo que a preenchia
Como se fosse à magia que a sustentasse
Mas não. Era eu. Em minha mais completa forma.
Vi um rastro de faísca
Espalhar-se por entre as órbitas
De meus incompreensíveis olhos.
Um sopro foi o que bastou
Para meu ser adotar
Aquilo que surgia diante de mim.
O vazio que deixava de me aprisionar
Enquanto minha mente se prendia
Àquele que pensava ter sido eu.
Já não era mais...
O cantar dos pássaros fazia-me
Pensar no que realmente era,
E mais que isso,
Na verdade anormal que passava a ser.
Por mais imperfeita e incompleta
Que fosse minha antiga natureza
Já não se resumia a vestígios.
Era algo que eu realmente era,
Pertencia a mim.
A vida que me carregava
Era completa, diferente, real e eu não sabia.
Deixei aquilo que me cercava ir embora.
Seria eu outra vez.
E então, aquilo se foi,
Para pertencer a outro alguém.
Nathalia Bueno
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