Armadilhas do inconsciente
Dizem que somos nós os reais culpados pelas
desolações em nossas próprias mentes. Sofremos de um mal que causamos lenta e
sofrivelmente a nós mesmos de forma de que em longo prazo, acabamos perdidos em
nossas próprias preocupações e angústias das quais em sua grande maioria não
têm sequer uma razão sólida de existência.
Falta-nos coragem de encarar os problemas
impostos em nossa frente, de derrubá-los e vivermos despreocupados um triunfo
conquistado arduamente, propiciador de um orgulho benéfico que nos abriria
portas a uma mais vasta socialização em prol de nossas mentes. Um mundo
ironicamente distanciado de nossa realidade se ergue, pessoas de nosso convívio
tampouco nos conhecem, e simplesmente não se importam mais com isso.
Inocentes, portanto, que por um simples
deslize do destino se resumem ao pior de si mesmos, elevando-se ao vazio de si
próprios, como se tudo aquilo por que passaram e lutaram ao longo de suas vidas
por um momento se esvaísse por completo de sua existência, como se nada mais valesse
a pena. Talvez se sintam culpadas pelo que possuem num mundo onde tantos outros
nem sequer podem ousar do luxo de possuir o que quer que seja. Não creio,
porém, que a culpa seja o maior de seus males. Este é a solidão. Solidão essa
que leva à depressão, mal que se alastra como a mais comum das doenças. Doenças
da mente. Justificam-se. Desafortunados, pois eu digo.
Em um mundo desigual onde a maioria assiste
em casa à desgraça a que o mundo infelizmente se converte, nobre não é somente
aquele que abre mão de tudo o que tem para sair ao mundo em busca de paz, mas
aquele que ao longo de seus dias busca acima de tudo fazer a diferença que
tanto quer ver no mundo. Pois que esses que não mais vêm razão em seu viver,
ajudem a proporcionar esperança a vidas que por circunstâncias externas foram
expostas a um tipo de realidade a que não os devia pertencer.
Nathalia Bueno
Bravo Nathalia. Um texto reflexivo, contundente e que deixa inúmeras perguntas no ar. Parabéns, talento tens de sobra! Bjs,
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