Casarão, meu velho casarão
As arcadas que a tudo viam e testemunhavam ser este o santuário do saber, da disciplina e da boa conduta, se orgulhavam em dizer ser esse também um lugar onde palavras pairavam de imediato no ar ao som do estridente toque ao hastear de suas bandeiras. Tudo paralisava e onde quer que estivesse, cada alma voltava-se para a mesma direção, um mesmo ponto, um objetivo comum.
O mastro onde tais bandeiras eram erguidas tornava-se o centro daquele momento, e o motivo pelo qual víamos o sol nascer a cada fria manhã de inverno. Estávamos aquecidos pelo intuito de que valeria a pena passar pelo que passávamos, pois enfim, o que importava era o que nos tornaríamos ao final de cada dia ao deixarmos os portões do velho casarão.
Esse tempo atravessou épocas, conquistou as décadas e tornou-se parte da história. Um centenário de glórias. Contudo, tais conquistas não são expressam tão somente em anos, mas em méritos e triunfos adquiridos em momentos de grandeza.
As boinas caíam ao vento ao som estrépito do “Zum Zaravalho” enquanto nossos corações palpitavam embalados pelo bumbo diante do palanque, e a farda irradiava ao refletir o sol escaldante de cada manhã. Só então sabíamos que aquele era o nosso momento, o nosso lugar, onde sempre estivemos pré-supostos a estudar.
Baleiros, portanto, que há muito passaram por essas arcadas, se emocionam ao lembrar de um tempo que não volta mais, mas que para sempre estará em suas memórias como símbolo de glória em suas vidas.
Nathalia Bueno.
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