O NOVO
Não sonho com um novo mundo.
Embora o novo seja algo
A que todos sonhamos.
O novo não me atrai. Só me iludi.
Somos aquilo que somos.
Não aquilo que sonhamos ser.
Pois se fôssemos aquilo que sonhamos,
O que mais teríamos para sonhar?
A perfeição desse novo mundo
Põe em conflito o essencial do ser.
Contudo, sem sonhos não somos nada.
Vivemos com eles, muito embora não possamos viver deles.
Portanto, o que nos resta ser
Se não os restos do mundo?
Os restos de algo a que não pertencemos,
Onde lá somente, somos apenas mais um.
E é assim que nos encaixamos,
Sendo o que resta, o que falta,
A peça que falta se encaixar
No espaço perfeito que deixaram faltando para nós.
Vivemos de perspectivas.
Tendo o novo como vago,
E o desconhecido como completo.
Do contrário não estaríamos vivendo.
Tendo o certo como pleno,
E tudo como exato,
Não teríamos chance alguma.
Uma vida sem ambições ou erros...
Seria essa realmente uma vida?
Ou um simples deslumbre de algo
Ao qual sonhamos em poder sonhar sermos?
Nathalia Bueno
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