"It's getting harder to believe in anything than just to get lost in all my selfish thoughts"

sexta-feira, 24 de junho de 2011




  Em um vilarejo de pouca relevância, longe de quase tudo, porém perto de quase todos, vivia um garoto solitário e extremamente pobre. Seu nome era Lucas. Ele mantinha o estranho hábito de sonhar alto, o que herdara de seus pais, pois sabia que algo bom sempre acontecia às pessoas de bem, porém sabia também que infelizmente nada de mal acontecia às pessoas más, contudo, não ligava para isso desde que não influenciasse em sua vida ou em sua personalidade. Não falava com quase ninguém, até porque quase ninguém falava com ele. Lucas era mantido a distância por todos que o conheciam, devido a seu aspecto desgraçado e sua visão de mundo um tanto fantasiosa demais, o que cansava e atormentava as pessoas em que perto dele viviam. Entretanto, Lucas tinha consigo a certeza de que um dia faria algo glorioso e, portanto, seria devidamente reconhecido pelo que era.
  Lucas tinha um sonho: Sempre quisera possuir em suas mãos, sentir o doce aroma e apreciar o magnífico sabor de um morango. Entrementes, o povo do vilarejo jamais foi humilde ou sensível o bastante para reconhecer ou simplesmente aceitar o singelo sonho do pobre garoto, que a única coisa que pedia era um simples morango.  
  Os morangos naquela época eram excluídos do povo do vilarejo, por assim dizer, e direcionados exclusivamente para a venda nas grandes cidades, e foi assim que esse desejo quase, porém não impossível, tornou-se um sonho na vida de Lucas.
  Aquele se tornou um lugar desesperado e infeliz desde que todos os palhaços foram embora por motivos econômicos, e isso acabava, tomava e arrastava o povoado, fazia daquele monótono espaço, um lugar praticamente desabitado e de extremo e envolvente tormento. 
  O garoto decidiu, por fim, livrar-se daquela aflição que de toda e total forma todos tentavam impor a ele, e por fim expressar tudo aquilo que sentia de maneira desimpedida. Lucas viu-se numa manhã ensolarada, ao som dos mais ricos e coloridos pássaros a voar livres pelo límpido céu primaveril, lendo para toda sua classe na humilde escola em que estudava, transmitia seus mais reservados apelos e angústias de toda uma vida, na esperança de mobilizar seus colegas para algo mais, fazê-los acreditar na vida e na magnitude que é a natureza. Sentira que precisava expor o que sentia ou jamais teria a inigualável oportunidade de experimentar um morango em sua vida.       
  Ao ouvirem o que o garoto tinha a dizer, seus colegas num apelo desesperado ao perdão bateram palmas de forma estrondosa e ininterrupta por um longo tempo. Tão logo, que dias iam e vinham, porém o som que se ouvia não mudava. Era um barulho alto e contínuo, e aquilo começava a substituir a tristeza no coração de todos os cidadãos daquele mísero canto esquecido do mundo. A alma de todos passava a ser pura novamente e mais feliz, tão feliz, que atraiu os palhaços de volta ao vilarejo, o que só fez com que a felicidade se multiplicasse se mantendo mais forte na medida em que o tempo passava e as palmas perduravam sobre o ardor do tempo que com elas carregava tudo.
  De forma assustadoramente instantânea os morangos passaram a fazer parte da vida de Lucas. E aquele lugar, em algum canto esquecido do mundo nunca mais foi triste outra vez.   


Nathalia Buneo

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